sexta-feira, 15 de julho de 2011

ACREDITE EM VOCÊ

Minha dúvida passou a ser comensurávelmente simples. Será que a vida seria sempre assim? É claro, a juventude dizia que não. Os sonhos eram férteis, assim como os hormônios. É claro, os filmes, livros e músicas também diziam que não. A vida, segundo eles, embora não fosse um conto de fadas, era sim, uma roda gigante, cujo final era extremamente surpreendente. Porém, a maturidade, as experiências e o tempo, estavam tornando essas afirmações, no mínimo, questionáveis. Não seriam apenas os anos passando... Óbviamente não. Eu estava abrindo não somente os olhos, mas o pensamento, para todos os fatos. Meus sentidos estariam ponderando "as coisas" do dia-a-dia, e foi neste mesmo momento em que os finais felizes e perfeições ditados por Shakespeare, Chaplin e suas tropas começaram a parecer distantes da vida real.
Talvez a bolha mágica que a infância envolveu sobre mim tenha estourado. Eu estava agora exposta ao mundo e seria não apenas convidada, mas como brutalmente empurrada para começar a empurrar com a barriga a vida feliz que sempre havia sonhado. E falando em barriga, já poderíamos começar por aí. Será mesmo que os planos de ano novo seriam sempre os mesmos? Será mesmo que eles permaneceriam em nosso pensamento e jamais se concretizariam? Bem, nenhuma das amigas de minha mãe viraram Deborah Secco depois de jurarem sua inscrição na academia no ano que estava se iniciando. E será mesmo que o céu existia? E o inferno? E todos aqueles gestos sobre os cadáveres "tão supostamente amados" deitados em seu caixão? Bem, este provavelmente seria o destino de todos nós, mortais. Mas será mesmo que a vida acabará do dia pra noite, sem respostas, certezas e cristalinas sensações de que tudo isto valeu a pena? Bem, se pudesse, depois de morrer voltaria ao mundo terreno para contar-lhes a verdade. Afinal, a dúvida corrói, bem sabemos.
Enquanto fui deixando-me divagar sobre minhas perguntas infindáveis, fui sendo levada a mais, e mais interrogações. Deus afinal seria crente, judeu, cristão, evangélico, luterano, espírita, budista? Deus afinal seria a nossa psicologia, imaginação e criação em movimento constante? Deus afinal seria uma energia que agia sobre todos nós? E claro, até quando tudo isso duraria? Será mesmo que somos descendentes do macaco ou de Adão e Eva? Será que seria possível prever o tão indomável futuro, ou mesmo, livrar-se dos julgamentos do passado? A única verdade é que pouco sabemos, e não bastasse isso, encontramos escoradas, rindo à toa, as repetições da vida, gargalhando e dizendo em voz alta que o curso do mundo não mudaria para uns ou outros, e que somos todos iguais... Que felicidade é relativo ,que a única coisa certa será a morte. E após ela, nada mais, nada menos, do que simplesmente, nada.
Será mesmo que os casamentos não teriam mais futuro? Aliás, porque em minha opinião, nem sequer passado tiveram. Nada que tenha a ver com opressão, pode ter a ver com amor. E ultimamente, venho pensando em qual seria o segredo para manter boas relações com amigos, pais e claro, amores. É claro que mudamos com o passar do tempo, e as mudanças devem ser aceitas. Porém, acredito que mesmo que a casca mais externa de nossa personalidade mude, o núcleo mais interno de nosso coração não irá cambiar inquilinos, sócios e proprietários. Ou em outras hipóteses, será que o amor seria apenas uma imaginação a mais? Será que tudo isso seria ilusão? Honestamente, há uma voz realmente delicada e leve dentro de mim, que suplica para que as respostas aqui sejam 'não'. Colocando meus desejos em questão, confesso que sempre quis segregar cumplicidade com alguém. Sem dúvidas. Sem medos. Sem dias nublados. Apenas uma rotina deliciosamente adorável e finais de tarde ao cinema, domingos ao sol, estrelas sobre os olhos, lençóis sobre a pele. Ah o amor... Acho que os suspiros a seguir poderão ser considerados como doces respostas aos fiéis amantes da paixão, e de sua doença crônica, o próprio amor.
Ignorando possíveis novidades, porque claramente, minhas palavras não servirão de noticiário, tenho a dizer - para infelicidade dos que esperavam clareza em seus caminhos através de minhas prematuras experiências - que vivemos em um mundo que óbviamente abriga dois lados. Perguntas, respostas. Amor, ódio. Luz, escuridão. Dia, noite. Amigos, inimigos. Ser, não ser. Antônimos, sinônimos e contradições no palco de nossa existência, que à essa altura de mais uma noite calada, poderíam levar-me á loucura. Dois lados. Duas vidas. Duas opções. Duas escolhas.
Possível ou não, passível ou não, aceitável ou não. Danem-se as estatísticas da sociedade, bem como os conceitos e pré-conceitos da humanidade, escolhi resumidamente viver do lado de dentro da bolha mágica. Simplesmente, porque a ideia de proclamar meu amor através de gestos amáveis agrada-me mais. Simplesmente porque desejo fazer crianças felizes, nem que seja correndo com elas pelos corredores do supermercado dentro de um carrinho. Simplesmente, porque adormecer sonhando será suficiente mesmo que meus sonhos não se tornem realidade. Simplesmente, porque me sentirei humana ao jurar que irei ler mais, comer menos, beijar mais e planejar menos ao final de cada um de meus anos. Simplesmente, porque a ideia de adorar um Deus que seja mais meu amigo do que meu ídolo é mais confortável. E finalmente, porque pretendo afagar os cabelos grisalhos de meus velhos pais ao passo que estiver brincando no tapete da sala com meus filhos. Porque pretendo viver um dia de cada vez, na tentativa de ser uma pessoa extraordinária. Na tentativa de surpreender a vida, ao invés de esperar que ela me surpreenda. E de calmamente esperar que ela me leve, uma vez que não posso levá-la. Incógnitas, medos, dúvidas. Eis a vida, caro colega. Perguntas, interrogações, questionamentos. Eis a graça da vida, caro amador.
Covardemente acho que esteja na hora de recolher minhas filosofias. É claro, que escritores famosíssimos dariam conclusões, explicações, conselhos. Mas a fama realmente não é algo que me atraia e muito menos algo que esteja a meu alcançe. Nunca dominei nem sequer minha circunstância ou destino, quanto mais me sentiria à vontade para apontar o horizonte de alguém. Sendo assim, não vou resumir, concluir e muito menos dar como encerrado o assunto, vou mesmo é atirar-me à um café bem quente para tapear o frio cortante. As dúvidas vão perdurar, as dúvidas vão perdurar, as dúv... Acostume-se! É claro, acostume-se e não acomode-se. Existem dois lados, dois jeitos, dois motivos, duas vidas que estão disponíveis para você. Escolha uma, aperte o play e divirta-se. Nada do que eu disser agora, vai melhorar algumas de suas percepções.
Porém, pessoalmente gostaría de acrescentar que o lado de dentro da bolha mágica e furtacor da vida tem janelas enormes, com cortinas esvoaçantes. Luzes coloridas e pirulitos gigantes para todos os lados. Pássaros cantam enquanto os guaxinins correm, e o ar é incrívelmente leve, de modo que seu corpo pareça voar. Há paredes, chão, portas, janelas... Hã? O endereço? Pois bem, anote aí: rua "Acredite na sua vida", nº "porque a força da crença", bairo "é o que faz tudo acontecer" e CEP "no mundo real".
Acredite em você!