sábado, 20 de agosto de 2011

OBRIGADA

Adeus más sensações. Adeus borboletas do meu estômago, quero dizer, se é mesmo que possuo um. Acostumei-me a crer apenas nas coisas visíveis. O gosto amargo do álcool na saliva transformando o momento em poesia, juntamente com a música agradável e alucinante me dizendo para processar as coisas, raciocinar os instantes, transformar tudo em palavras. Confuso, não. Pois sim, bem vindas caras amigas, sensações maravilhosas de leveza. Obrigada pela sensação desorbitante de fazer de minha vida rotineira como a da maioria dos bilhões de usuários intediados do twitter, uma vida louca, excitantemente alegre, surpreendente, inviolávelmente sagaz. Obrigada mesmo, por ter atentido as minhas preces, ter visto mesmo que eu era alguem que precisava ser surpreendida. Obrigada pelas mais novas loucuras, obrigada pelo envolvimento com a fumaça e o cheiro doce das coisas ilícitas. Obrigada por que hoje vivo o que nunca esperei viver. As surpresas surpreenderam-me e hoje sou uma nova pessoa, mais confiante, mais afim, mais áspera, mais confiante de que a verdade é convidada ilustre na dança de artistas descuidados e ousados, como eu. Obrigada por todas as confusões, obrigada pela respiração ardente que o vício da bala inusitada proporcionou. Obrigada pelo sol quente do fim de tarde nos olhos dela, mesmo que com novas sensações e novos cheiros. Obrigada pelo medo, e a oportunidade de mandá-lo passear, bem como as leis, opressões e estereótipos. Obrigada por passar longe das coisas fáceis, que geram lembranças. Por viver dentro de lutas difíceis, que geram histórias. Obrigada por comprar meu orgulho, reprimir minha garra e rir da minha cara. Hoje sou uma pessoa pior. Muito pior do que todas as outras. Não sigo as regras, não uso terninhos. Não tenho talões de cheque, nem a segurança de uma casa. Não frequento todas as aulas, muito menos as igrejas. Não escrevo totalmente certo e tampouco sei todas as verdades sobre a vida. Eu sou o nada. Vivo o anonimato desencadeado, as loucuras do dia, as trapaças da noite. Eu sou muito pior que todos vocês, e mesmo assim, obrigada. Obrigada pelo desamparo, pelo desafio, pela malandragem. Obrigada pela falta de ética, a carência de etiqueta e ignorância de não nascer em berço de ouro. Afinal, a delinquencia já está em mim. As tatuagens não podem ser apagadas, ferem o orgulho da sociedade engravatada. A revolta tomou conta de mim. Mas eu sou mais, sou nada, sou o lixo, sou o resto. Sou alguém que nunca encontrou o caminho de volta para casa. Sou alguém que nunca almoçou ao meio dia. Mas sou tão ruim, que agradeço por ter conhecido o que vocês mercenários nunca puderam sequer comprar, quanto mais, subornar: eu tive, tenho e terei, para todo o sempre, o ganho mais ilustre que qualquer homem pode receber: eu tive, tenho, terei o amor. Ele que é refletido nos olhos dela. Ele que é sonho, luta e provisão pro amanhã. Ele que é a revolução em mim, o último vestígio de esperança... Mas não a revolução baseada na revolta momentânea, e sim, a revolução que é fruto da crença permanente. E aqueles que creem chegarão lá. Terão o mundo nas mãos, o amor no coração. Então vida, mais uma vez, obrigada. Obrigada por que sou ruim, mas conheço o amor, creio e sou o futuro de toda a humanidade.